{"id":4199,"date":"2026-07-22T17:01:43","date_gmt":"2026-07-22T17:01:43","guid":{"rendered":"https:\/\/fid-rio.com\/2026\/?p=4199"},"modified":"2026-07-22T18:17:47","modified_gmt":"2026-07-22T18:17:47","slug":"imagens-que-nao-se-apagam-godard","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fid-rio.com\/2026\/2026\/07\/22\/imagens-que-nao-se-apagam-godard\/","title":{"rendered":"IMAGENS QUE N\u00c3O SE APAGAM &#8211; GODARD"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"4199\" class=\"elementor elementor-4199\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-32f0ce9 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"32f0ce9\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0a360ed elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"0a360ed\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">O FID:RIO e #LINK:RIO 2026 re\u00fanem tr\u00eas propostas que interrogam a rela\u00e7\u00e3o entre as imagens, a mem\u00f3ria e o poder. Apresentadas na Cinemateca do MAM e no Centro Cultural Justi\u00e7a Federal, essas obras partem de contextos distintos \u2014 a Cuba contempor\u00e2nea, o Julgamento das Juntas Militares na Argentina e o pensamento cinematogr\u00e1fico de Jean-Luc Godard \u2014, mas convergem em uma mesma pergunta: <\/span><b>o que pode uma imagem diante das for\u00e7as que tentam apagar, dominar ou deformar a hist\u00f3ria?<br \/><\/b>As imagens aqui reunidas n\u00e3o aparecem como registros neutros. S\u00e3o territ\u00f3rios de conflito. Podem se transformar em prova judicial, testemunho, carta pol\u00edtica, arquivo clandestino, instrumento de propaganda ou gesto de resist\u00eancia. Olhar n\u00e3o significa apenas receber uma informa\u00e7\u00e3o: significa assumir uma responsabilidade diante daquilo que \u00e9 mostrado e tamb\u00e9m de tudo o que permanece fora do enquadramento.<br \/><span>Na Cinemateca do MAM, <\/span><i><span>Mirante<\/span><\/i><span> transforma materiais registrados durante uma filmagem em Cuba em uma experi\u00eancia aut\u00f4noma sobre uma ilha que resiste. No Centro Cultural Justi\u00e7a Federal, a mostra vinculada a <\/span><i><span>El juicio<\/span><\/i><span> traz de volta ao presente as vozes e as imagens do processo que julgou os respons\u00e1veis pela \u00faltima ditadura argentina. Tamb\u00e9m no CCJF, o programa dedicado a Godard prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre a guerra, a viol\u00eancia e a \u00e9tica da representa\u00e7\u00e3o por meio de quatro curtas-metragens realizados entre 1991 e 2023.<br \/><\/span>As sedes n\u00e3o funcionam apenas como espa\u00e7os de exibi\u00e7\u00e3o. A Cinemateca do MAM, lugar de preserva\u00e7\u00e3o e pensamento cinematogr\u00e1fico, recebe uma obra constru\u00edda com fragmentos de uma experi\u00eancia ainda em aberto. O CCJF, edif\u00edcio historicamente associado \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, acolhe imagens que perguntam como uma sociedade julga o seu passado e como deve olhar para as viol\u00eancias do presente.<br \/>As tr\u00eas propostas constroem, assim, um percurso entre soberania, justi\u00e7a e responsabilidade visual. Diante dos apag\u00f5es, do terrorismo de Estado, da guerra e da circula\u00e7\u00e3o incessante de imagens, o cinema e o audiovisual aparecem como formas de preservar aquilo que esteve prestes a desaparecer.<br \/>As imagens podem ser ocultadas, manipuladas, descontextualizadas ou condenadas ao esquecimento. Mas tamb\u00e9m podem sobreviver, viajar, reaparecer e recuperar a sua pot\u00eancia. Enquanto existirem corpos dispostos a preserv\u00e1-las, escut\u00e1-las e confront\u00e1-las, haver\u00e1 imagens que n\u00e3o se apagam.<\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Idea Original: Walter Tiepelmann<br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Curadoria: Ygor Gama, Walter Tiepelmann<br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Produ\u00e7\u00e3o: Celina Torrealba, Mario Durrieu<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a37d18d e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"a37d18d\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-60969cd elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"60969cd\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" src=\"https:\/\/fid-rio.com\/2026\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/07\/GettyImages-107212844-1.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-4201\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/fid-rio.com\/2026\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/07\/GettyImages-107212844-1.jpg 1024w, https:\/\/fid-rio.com\/2026\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/07\/GettyImages-107212844-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/fid-rio.com\/2026\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/07\/GettyImages-107212844-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-25347c1 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"25347c1\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2da260d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2da260d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h1><b>IMAGENS EM GUERRA, GUERRAS DE IMAGENS<\/b><\/h1><h2><b>A responsabilidade de olhar<\/b><\/h2><p><b>Centro Cultural Justi\u00e7a Federal<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Para Jean-Luc Godard, as imagens nunca foram inocentes. Cada enquadramento estabelece uma posi\u00e7\u00e3o; cada montagem constr\u00f3i uma rela\u00e7\u00e3o entre os acontecimentos; cada forma de mostrar o mundo participa de uma disputa pol\u00edtica.<br \/><\/span>Este programa re\u00fane quatro curtas-metragens realizados entre 1991 e 2023:<i>Pour Thomas Wainggai<\/i>, codirigido com Anne-Marie Mi\u00e9ville; <i>Je vous salue, Sarajevo<\/i>; <i>Pri\u00e8re pour refusniks<\/i>; e <i>Film annonce du film qui n\u2019existera jamais: \u00abDr\u00f4les de guerres\u00bb<\/i>. As obras constroem um percurso que vai da carta pol\u00edtica \u00e0 fotografia de guerra, da desobedi\u00eancia ao arquivo e ao testamento visual.<br \/><br \/>Em <i>Pour Thomas Wainggai<\/i>, a forma da carta cinematogr\u00e1fica transforma-se em uma interven\u00e7\u00e3o contra o esquecimento. A imagem n\u00e3o pretende informar a partir de uma suposta neutralidade: dirige-se a uma situa\u00e7\u00e3o concreta de viol\u00eancia pol\u00edtica e exige uma tomada de posi\u00e7\u00e3o.<\/p><p><i><span style=\"font-weight: 400\">Je vous salue, Sarajevo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> parte de uma fotografia da guerra da B\u00f3snia. Godard fragmenta a imagem, percorre-a e a reorganiza por meio da voz e da montagem. A fotografia deixa de ser um documento transparente para se transformar em uma cena moral na qual est\u00e3o implicadas a guerra, a Europa, a cultura e o olhar do espectador.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pri\u00e8re pour refusniks<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, a reflex\u00e3o se desloca para o ato de se recusar a obedecer. As cartas cinematogr\u00e1ficas dirigidas a soldados israelenses presos por rejeitarem sua participa\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios ocupados introduzem a desobedi\u00eancia como uma forma de responsabilidade. A pergunta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas como olhar para a viol\u00eancia, mas como decidir n\u00e3o participar dela.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O programa se encerra com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Film annonce du film qui n\u2019existera jamais: \u00abDr\u00f4les de guerres\u00bb<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, \u00faltimo gesto cinematogr\u00e1fico de Godard. A obra re\u00fane desenhos, p\u00e1ginas, vozes, fotografias, arquivos e colagens que j\u00e1 n\u00e3o anunciam um filme futuro: tornam-se elas mesmas a mat\u00e9ria de um filme imposs\u00edvel e de um pensamento ainda em movimento.<br \/><\/span>Mais do que uma homenagem, <i>Imagens em guerra, guerras de imagens<\/i> prop\u00f5e um exerc\u00edcio de desmontagem da vis\u00e3o. Godard n\u00e3o convida a contemplar a viol\u00eancia, mas a interrogar a maneira como ela \u00e9 produzida, transmitida e consumida.<br \/>Em um presente saturado de telas, propaganda e circula\u00e7\u00e3o imediata, essas quatro obras preservam uma for\u00e7a urgente. Elas nos recordam que toda imagem seleciona, exclui e organiza o mundo, e que olhar criticamente significa perguntar quem produz as imagens, de onde elas circulam e a quais interesses servem.<br \/>No CCJF, o programa funciona como uma b\u00fassola \u00e9tica para o conjunto das mostras: diante da guerra transformada em espet\u00e1culo, o cinema ainda pode interromper o olhar autom\u00e1tico, devolver conflito \u00e0s imagens e nos obrigar a assumir nossa responsabilidade como espectadores.<\/p><p><strong>CCJF &#8211; S\u00e1bado 25 JUL . 16h<\/strong><\/p><p><a href=\"https:\/\/fid-rio.com\/2026\/programacion\/?funcion_fecha=&amp;seccion_nombre=IMAGENS+QUE+N%C3%83O+SE+APAGAM%3A+GODARD+%E2%80%94Imagens+em+guerra%2C+guerras+de+imagens\">+ info<\/a><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O FID:RIO e #LINK:RIO 2026 re\u00fanem tr\u00eas propostas que interrogam a rela\u00e7\u00e3o entre as imagens, a mem\u00f3ria e o poder. 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